domingo, 21 de outubro de 2012

Eras amor

Imaginei-te. Eras como um raio de sol que entraria pela janela do meu quarto, para me iluminar, me aconchegar e me fazer sentir mais feliz. Eras mesmo real, tinhas qualidades e defeitos, mas isso não importava. Não eras perfeito, mas eras perfeito para mim. O teu sorriso fascinava-me e o teu cabelo escuro, aos caracóis, dava vontade de perder horas a fazer-lhe festinhas. A tua tez era morena, o teu corpo esguio e a tua pele era tão macia que poderia acariciá-la vezes sem conta, sem nunca me cansar. Eras inteligente, simpático e divertido. Tinhas um sentido de humor apurado e irrepreensível. Meigo e atento, delicado e sensível, dedicado e bom amante. Eras, em tudo, aquilo com que sempre sonhei. E melhor - amavas-me. Gostavas genuinamente de mim, sem pudor de o demonstrar por palavras - "amo-te" - mas sobretudo pelos gestos e atenções que tinhas para comigo, que me faziam sentir desejada, amada e respeitada por ti. Sabia que podia confiar em ti: só tinhas olhos para mim, a tua "princesa encantada", como tantas vezes carinhosamente me chamavas, arrancando-me sempre um sorriso apaixonado. Levavas-me a passear: íamos caminhar à beira-mar, íamos conhecer sítios novos, passeávamos pela natureza, íamos ao cinema, íamos ver as estrelas, tinhamos os nossos programas a dois, como eternos enamorados - sabias sempre as pequenas coisas que me faziam feliz. Imaginei-te e tu eras tudo isto. Tudo aquilo em que acredito e considero merecer. Um dia sei que te vou encontrar e podes não ter o cabelo escuro, aos caracóis, mas desde que me queiras conquistar, amar e ser amado, podes ficar tranquilo: vou deixar-te ficar. Mariana

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Mundo ao contrário (ou então sou eu que não sou de cá...)

Nunca vos aconteceu terem a sensação que o mundo (tal como o conhecemos) anda todo de pernas para o ar e ninguém se parece incomodar com isso além de nós? Acho que cada vez mais se entra num jogo de competição e sede de poder ser "alguma coisa" a qualquer custo, que muitas vezes deixamos de ser quem somos, para sermos "alguém-que-quer-ser-melhor-do-que-os-outros". Nesta sociedade em que todos (quase todos, vá...), se preocupam com as aparências, com ter um carro bom, um emprego onde se ganhe muito dinheiro, um/a homem/mulher que a/o satisfaça (sexualmente falando e às vezes só para mostrar ao amigo...) e/ou ter um corpo perfeito, os valores como genuinidade, verdade, espontaneidade, amizade, prazer pelo que se faz, amor por si próprio, respeito pelos outros e pela beleza da vida, em geral, por onde andam? Estão esquecidos, adormecidos ou guardados bem dentro do armário, porque se saem cá para fora (do armário ou de nós mesmos?!) podemos passar por "fracos", "chorões", "sensíveis", "emotivos", "corações de manteiga (ou cheios de açúcar, porque não?)" aos olhos dos outros e até de nós próprios... Por isso, 'bora ser quem não somos para sermos melhor que os outros, seja em que "campo" for: profissional, amoroso, financeiro, físico... Será que é o que TEMOS que nos traz felicidade? O número de amigos no Facebook, o número de "gajas" que comemos, o número de calças que usamos... Ou será que SERmos realmente nós mesmos é tão doloroso que temos de nos "mascarar" para que possamos sobreviver neste mundo ingrato do "salve-se quem puder"? Muitas vezes, há pessoas que chegam a um ponto em que não sabem quem são... Sabem quem eram, em tempos. Mas a vida ensinou-lhes que "não se pode...", "não se deve..." ou então "ai é? fizeste-me isto? vais ver que para a próxima quem te faz isso sou eu! quem ri por último, ri melhor...". Nesta competição sem fim, sem objectivos para o bem do próprio que não seja mostrar que se é "O" melhor, mesmo que se "ganhe", é apenas temporariamente. "Ganha-se" (será?) uma batalha "contra os outros", mas não a guerra final "connosco próprios". Temos de ser quem somos, com virtudes e defeitos. Entregarmo-nos. Darmo-nos a conhecer ao mundo, tal como somos. Sem pudor, sem reservas, sem vergonhas, sem angústias. Darmo-nos simplesmente. E começar por nós próprios, por escavar bem fundo e perceber de onde vem esse "vazio" que sentimos... percebermos que o "faz-de-conta" em que vivemos, pode e deve ser combatido, ser contornado. TODOS podemos SER pessoas melhores. TODOS! E sim, custa, dói. É mau ser rejeitado, é... é mau sentirmo-nos desinteressantes, incultos, pouco inteligentes, feios... Mas cada uma destas características só ganha visibilidade se as cultivarmos e têm o peso que nós lhes escolhermos dar. E se achamos que não SOMOS suficiente, então sim, mudamos. Mas não para agradar aos outros. Para nos agradarmos a nós. Para quando olharmos ao espelho podermos dizer mais do que "estás gira, hoje!". Podermos olhar, bem fundo, bem dentro, sentir orgulho no que somos e poder dizer a nós próprios e gritar bem alto ao mundo "SOU BOA PESSOA!! Sou assim. Podia ser de mil e uma formas, podia... Mas não seria EU!".

Quando pararmos de olhar para fora e de tentar agradar aos outros e passarmos a gostar mais do que vemos em nós (VER=DENTRO E FORA), quem sabe não nos apercebemos que SOMOS mais e melhores do que pensávamos. E se nós gostarmos de ser assim, porque é que os outros não hão-de gostar? Certamente, haverá quem goste. E quem preferir um "ser-humano-de-fachada" em vez de um "ser-humano-de-verdade", julgo eu que não valerá a pena. ;)

E, como dizem na RFM, "e... já agora, pense nisto!"

sábado, 9 de julho de 2011

Espera

Sim, ainda espero. Aguardo alguém que me queira bem, alguém com quem o tempo passe a voar cada vez que estamos juntos, alguém com quem o tema de conversa não se esgote e, simultaneamente, com quem possa estar calada sempre que me apetecer. Alguém que respeite todos os momentos em que necessito de estar sozinha, mesmo que a ouvir música, na internet, a trabalhar, a caminhar... Sim, gostava que aparecesse esse ser humano que acrescentaria mais brilho à minha vida e me fizesse sentir amada, desejada, alguém que me fizesse deixar de ter medo de ser eu, alguém que me pudesse libertar de todas as correntes que me prendem a mim própria e me soltasse deste vaivém de certo/errado, devia/não devia, de se's e de todos os outros pensamentos que me enclausuram e não me deixam viver em pleno. Provavelmente não aparecerá esse alguém enquanto eu não conseguir fazer os lutos que tenho dentro de mim e partir para um novo patamar de auto-conhecimento e amor-próprio, onde não terei que pedir desculpa por ser assim ou assado, por ter uma opinião x ou y ou por poder dizer que não, sem ter de apresentar um motivo válido para isso. No fundo, a vida é um pouco um palco, onde todos somos um pouco actores e desempenhamos o papel que esperam que tenhamos. Mesmo que não queiramos, a sociedade condiciona-nos a fazer o que esperam de nós e não aquilo que realmente queremos ser/fazer. E isso limita-nos, faz-nos sofrer e guardar para nós o que gostariamos de dizer. Até que nos revoltamos e tentamos inverter essa situação, mas já estão tão enraízados esses padrões de resposta que acabamos por repeti-los, mantendo assim o sofrimento e cometendo os mesmos erros que originam os mesmos problemas e faltas ou carências. Espero alguém que me faça abrir os olhos e lutar por mim mesma, sim, pela minha saúde e felicidade, mas, ao mesmo tempo, espero por mim, espero um dia ganhar força suficiente para romper com o socialmente estabelecido e poder, finalmente, ser eu.

Doce Ilusão

Sonhei contigo. Que me querias voltar a ver, a sentir, a bem-me-querer. Que quando passavas as tuas mãos no meu corpo, o teu toque me fazia sentir desejada, de uma forma que jamais ousei pensar que tornasse a ser possível. Não era preciso palavras, ambos sabíamos que nunca fora preciso a linguagem verbal para entender o que o outro queria dizer. Estava feliz. Acreditava que desta vez é que ia ser e que, por muito que não admitisses, a minha presença na tua vida não te era indiferente. Tal como julguei que a doçura com que me olhavas não era apenas porque não tinhas mais ninguém, mas porque era realmente especial para ti. Por isso, avancei. Não precisava de ter medo. Sabia que me respeitavas incondicionalmente e por isso o que parecia ser uma loucura, tanto tempo depois, rapidamente poderia originar um regresso ao que um dia tinhas posto um fim. E eu queria, queria tanto ou mais do que tu, poder voltar a dar-te tudo o que de melhor tinha e, ao mesmo tempo, receber de ti o que de mais precioso tinhas. Envolver-te nos meus braços e perder-me nesse instante onde o amor atingia a perfeição era tudo o que mais queria. E assim foi. De repente, oiço um som que me é familiar, abro os olhos e, com alguma raiva, desligo o despertador. Olho em volta e desejo com todas as minhas forças que tudo não tenha passado de uma doce ilusão. No entanto, estou sozinha no meu quarto, sem qualquer vislumbre de ti. Infelizmente, tudo não passara de um sonho, tudo o que vivera contigo naquela noite não era mais que uma fantasia com princípio, meio e fim.

domingo, 15 de maio de 2011

Importante

Ontem aprendi uma coisa importante... Várias até e algumas não posso dizer que fossem totalmente novidade para mim, mas foram ditas no momento certo à hora certa. Então é o seguinte: posso estar rodeada de gente e até estou (felizmente) e gosto muito de estar e valorizo muito quem gosta de mim e me respeita... Mas na verdade, é comigo mesma que vou passar toda a minha vida... Sei que algumas destas pessoas (poucas, provavelmente) me acompanharão durante todo o caminho, mas e eu? E porque me custa estar sozinha, estar comigo mesma? Porque questiono tudo e considero que sou banal, nada de especial, etc, etc... apenas porque estou sozinha? E quando me sinto sozinha no meio da multidão? Isso também quer dizer alguma coisa, ou não? Aprendi que não tenho de dar respostas a estas perguntas todas... Não agora, aos poucos... E sobretudo não tenho de me pressionar ou culpabilizar por não saber o que responder... Tenho, isso sim, de retomar o meu percurso, e sim, posso estar numa curva seguida de contra-curva, mas não é isso que me vai deter de seguir em frente, e nem sei muito bem onde este caminho me vai levar, porque é imprevisível e irreversível, mas é isso... Aprender a estar comigo e com o que penso, sinto, etc é complicado, mas é necessário. E nunca ninguém disse que crescer era fácil. Crescer dói. Mas vale tanto a pena!

sábado, 14 de maio de 2011

Era bom, sim...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Waiting on an angel...



Hope you come to see me soon, 'cause I don't wanna go alone....